sábado, 15 de janeiro de 2011

(SEM TÍTULO, 2) "dói em mim uma dor danada..."




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dói em mim uma dor danada
que eu não quero ter e que não recuso.
um gesto que eu não conheço me condena,
a voz transborda iras e terrores.
a mulher que eu amei é logo desamada
num abandono cego e pessimista.
amanhã eu não sei o que dizer do amor
para que não seja apenas uma palavra.
meus sentimentos se perdem e se confundem
e eu me esqueço de mim,
falho nos sonhos erro nas esperanças
passo batido e retardatário
no ciclo dos dias, me sinto sem forças
para conduzir meu próprio fardo.
que olhos brilharei para a mulher que amo
quando ela aparecer cansada e triste ?
dói em mim uma dor danada
que eu não quero ter por que repartir
com essa companheira
sofrida em meus caminhos
inútil e vaga em sua sorte
que eu não quero ter e que não recuso.



(do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA,
de Juareiz Correya -
Nordestal Editora, Recife, PE, 1982)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editora, Recife,PE, 2010.

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