sábado, 27 de outubro de 2012

AS ARMAS BRASILEIRAS





"O lançamento do Brasil no mundo cinzento 
da venda e do contrabando de armas e equipamentos
nucleares - é uma obra do Governo João Figueiredo."
                                       (VEJA, dezembro / 1986)



Oferecemos aos Países Amigos,
Além de granadas, metralhadoras,
Aviões, foguetes e treinamento pessoal,
A nossa incompetente administração oficial,
Uma gigantesca mortalidade infantil,
Projetos faraônicos aprovados no Nordeste,
Políticos sem-vergonha com brilhante demagogia,
Núcleos de classes desclassificadas,
Incivilidades,  sacanagens, gandaias,
Altas fontes de pobreza, 
Rica estatística de fome,
E perfeitas, bem mutretadas impunidades 
Para qualquer crime.  


Dezembro, 1986.


(Do livreto AMÉRICA INDIGNADA
Y POEMAS DA ALEGRIA DA VIDA,
de Juareiz Correya 
- Panamerica Produções / Nordestal Editora,
Recife, PE, 1991)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA 
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal, Recife, PE, 2010

 

domingo, 9 de setembro de 2012

ARTE DO PODER





Os romanos inventaram 
com leões e cristãos
o circo com pão.
Os brasileiros bolaram 
com samba e com sol 
o circo sem pão
                          do futebol.
Hoje o Brasil
descoberto de novo, 
inventado de novo,
decretou o Estado de Circo
- sem picadeiro, sem palco e sem pão -
com panos colloridos tapando o céu
um mágico desgovernado no planalto 
e uma platéia de 140 milhões 
de bestas e de palhaços. 



Olinda, 1990.


(Do folheto AMÉRICA INDIGNADA 
Y POEMAS DA ALEGRIA DA VIDA
- Nordestal Editora, Recife, PE, 1991)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal Editora,  Recife, PE, 2010
 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A REVOLTA DOS PÁSSAROS FERIDOS




"É honra do homem proteger o que cresce 
cuidar para que não haja infância dispersa pelas ruas 
de outro modo é inútil ensaiar na terra 
a alegria e o canto..."
                          (ARMANDO TEJADA GOMEZ)



A esta hora exatamente
há uma criança na rua.
E despertamos para o nosso dia
de compromissos, de créditos e compras,
com a consciência sã e salva,
passada a limpo em águas biodegradáveis,
sem a estúpida lembrança dessa imagem.

A esta hora exatamente 
há muitas crianças despertando 
com o molambo e o desabrigo das ruas.
E vestimos os azuis e vermelhos 
convencionais, roubados ao céu e ao sol,
para os encontros das invenções
estabelecidas em favor de todos nós
- uma comunidade de homens ideais 
sem pensar que há manhãs de fome 
nas mãos de crianças sacrificadas.  

A esta hora exatamente
há dezenas de crianças em cada rua
prontas para uma luta cega e crua 
em troca de um humilhado pedaço de pão.
E comemos à nossa mesa os naturais 
frutos do mercado a saudável
gordura dos animais as proteínas 
e as vitaminas de quentes cereais. 
E não sabemos que a fome existe 
em estômagos que ainda estão nascendo,
em corpos que ainda estão crescendo. 

A esta hora exatamente
há centenas de crianças nas ruas 
dos bairros descalços e imundos 
tomados de assalto pela miséria.  
E administramos a nossa segurança 
e a nossa sorte, construindo
um cotidiano de ações justificadas 
para nós mesmos, a família unida,
para o nosso completo e indivisível bem.
E não vemos que pais e mães destroem 
e matam as crianças e as juventudes 
dos futuros que passam em nossas portas.

A esta hora exatamente
há milhares de crianças nas ruas 
com as suas inocências roubadas 
e assassinadas pela cidade inteira.
E em nossas casas preparamos 
a fortaleza do nosso medo,
em nossas casas seguros negamos 
com a Família, a Constituição e o Governo,
o abandono, a fome, a miséria absoluta,
desse Exército que cresce todos os dias
para invadir em revolta o infame País 
e com as mãos pequenas e limpas 
acabar com a sujeira e o crime 
de todas as nossas vidas inúteis.  


                                    Recife, 26/maio/1989.


(do livreto AMÉRICA INDIGNADA 
Y POEMAS DA ALEGRIA DA VIDA,
Recife, PE, 1991)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA 
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

sábado, 21 de julho de 2012

OS "POLÍTICOS"




os "políticos" todos os dias
ensaiam as mesmas loas
e os homens cantam,
remontam os mesmos figurinos
e os homens copiam,
repetem os mesmos chavões 
e os homens aplaudem,
discursam as mesmas louvações 
e os homens se encantam, 
mantêm as mesmas lutas 
e os homens os seguem,
recitam as mesmas cartilhas 
e os homens publicam,
usam os mesmos métodos 
e os homens arrebanham-se,
postulam os mesmos credos
e os homens guerreiam
revivem a mesma vida 
e os homens matam-se.


(Do livreto AMÉRICA INDIGNADA
Y POEMAS DA ALEGRIA DA VIDA
- Recife, PE, 1991)

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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya 
- Panamérica Nordestal Editora , Recife, PE, 2010

segunda-feira, 2 de julho de 2012

América Indignada y Poemas da Alegria da Vida





     "Com este novo título - AMÉRICA INDIGNADA Y POEMAS DA ALEGRIA DA VIDA - integro, na primeira parte, aos meus textos já publicados, novos textos de natureza política e social por força da crença que eu tenho na poesia comprometida com tudo e com todos.  A poesia comprometida com a minha e a tua vida, como nos ensinou Thiago de Mello.  E, na segunda parte, trato de outro tema, de outro chão, de um universo com o qual a minha poesia etá sempre comprometida também : procuro oferecer ao leitor textos de natureza amorosa, para que, além da tristeza da dor que os homens criam na terra, na América, em particular, possa o leitor compreender que o homem, ao amar, cria a alegria da vida."   

                                                                                                             Juareiz Correya


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     ... "E lembro o quanto de razão tinha Darcy Ribeiro, quando, há dois anos, espetava no nariz do mesmo Octávio Paz, num simpósio realizado na mesma Alemanha, que os homens e mulheres da América Latina, os intelectuais entre eles, dividem-se em indignados e resignados.  Talvez na América de hoje resignar-se seja um direito mas, então, vale recordar o que disse, naquele mesmo simpósio, o mestre mexicano Juan Rulfo. Corrigindo o que dissera Darcy Ribeiro, com sibilina e certeira ironia, murmurou Rulfo : "Na América seremos indignados ou indignos..."

                                                                                                            Eric Nepomuceno



(Do folheto "América Indignada y
Poemas da Alegria da Vida",  de Juareiz Correya
- Recife, PE, 1991)    



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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20,
de Juareiz Correya 
- Panamerica Nordestal, Recife, PE, 2010




domingo, 3 de junho de 2012

IDENTIFICADO RECIFE




hoje amanheci domingo
estou cedo pelo Recife deserto
as possibilidades são raras
nesta cidade que eu sou :
o sol do atlântico pode me devorar
ou a chuva do capibaribe me apodrecer.
ninguém transita ou veicula sorrisos
não chega ou se despede ninguém cotidiano
tudo sou eu que parei e descanso mortomente.
a cidade que eu sou entardecerá cinemas
crepusculabrirá bares
travestidas boates sexuais passeios
passagens noite a dentro.
amanhãserei primeiro
segunda feira
dia que te uso e mascateias



(Publicado com ilustração de Abraão Chagorovisky
 no ÁLBUM DO RECIFE, organizado por Jaci Bezerra
e Sylvia Pontual - Prefeitura da Cidade do Recife, PE, 1987)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA 
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya  
- Panamérica Nordestal Editora, Recife (PE), 2010.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A CRIAÇÃO DOS HOMENS




O poeta toca as palavras,
magia que toca as pessoas.
Há uma multidão em sua fala.
As palavras germinam,
crescem, andam, ardem, crepitam
e fenecem. E todos os dias ressuscitam.
Como ressuscitamos.
Com um sopro e um sol pronunciado.
As palavras animam-se completamente
e nuas ou bem ou mal vestidas
vivem e fazem parte
do universo das horas.
Vão para além, numa viagem
cedo ou nunca interrompida.
As palavras são pétalas,
carne, espírito e luz.
O cheiro próprio, a sonoridade única,
o modo inconfundível, o gesto inteiro,
o gosto pleno, o corpo aberto,
a presença exata,
a palavra não foi, nem poderia ser, nem será,
a palavra é apenas o que é. 
E a sua residência não é a terra,
nem a infinita cidade das galáxias,
ou os tratados, as gramáticas
e os tumulares dicionários :
é o interior do coração.  


(da antologia POETAS DOS PALMARES
- Fundarpe / Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes /
Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho,
Recife, Palmares, 1987)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA 
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya  
- Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

domingo, 15 de abril de 2012

PALMARES

à vida de Givanilton Mendes.



A cidade tem uma vontade asfixiante
que assoma inteira e exerce o seu domínio
sobre todos, vítimas vencidas.
É negra e rija, de músculos tentaculares
e uma história de desprezo sobre os homens
arrotada por mil cantos.
Corre sangue sempre verde em seus lugares
- um rio que não aplaca a sede,
não alimenta e nem apodrece.
Um rio desgovernado, de rumos sabidos,
sempre voragem, vertiginosa viagem.
Águas mortas sem margem
de negruras profundas que vêm de longe
fecundam registros e lendas
fantasiando trombetas pauis pirangis abreus...
Há muitos ébrios perdidos
pelas ruas silenciosas e tristes
invertidos com a bebedeira de tardes noites.
Rebeliões sufocadas, revelações
castradas e reencarnações multiplicadas
na indigência e em cada dor.
Deuses malditos perambulam, ambulantes,
em seu mercado público de sortes e desgraças.
E todos os dias são sempre indiferentes :
tanto faz a vida, tanto faz a morte.



(Da antologia POETAS DOS PALMARES
- Fundarpe / Secretaria de Turismo, Cultura
e Esportes / Fundação Casa da Cultura
Hermilo Borba Filho, Recife, Palmares, PE, 1987)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

sexta-feira, 30 de março de 2012

PATERNIDADE

para José Terra, João Guarani e Mariama.


nada sou, nem tenho, nem serei jamais.
e vocês herdarão de mim apenas o que escrevo.
é muito pouco.
toda uma vida por isso vale a pena?
espero que as suas almas não sejam pequenas.
o que fiz a mais foi chamá-los para este mundo,
ao lado da companheira e mãe que em mim acreditou
e que revelou comigo os seus nomes.
o que escrevo é o que vivo.
estou nas palavras e nos livros,
nas ruas dos meus passos,
nos ventos dos meus caminhos,
nas terras das minhas fantasias
e nos céus eternos das cidades.
gosto de mim, me amo inteiramente,
e tenho, por vocês, pela mulher
que é minha verdadeira companheira,
pela minha pequeníssima vida,
um imenso orgulho de mim.
é só o que posso lhes dizer ? sim.
- amem, amem-se, amem para sempre o amor.



(Da antologia POETAS DOS PALMARES,
organizada por Juareiz Correya
- 2a. edição, Palmares / Recife, 1987)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

sexta-feira, 9 de março de 2012

REVISÃO DE HERMILO (*)

Os caminhos da solidão
pelo sol das almas iluminados
se estendem, começo do sem fim
à margem das lembranças
onde o Cavalheiro da Segunda Decadência passeia.
E sem medo ele abre
- boca do céu, fundo do inferno -
a porteira do mundo
para as alegrias e tristezas e assombros
d' o cavalo da noite
na mata dos homens.
Grave, solene e miserável
um deus no pasto se envenena azul.
Na hora certa, na hora-Agá
a vida é esta nudez.
O general está pintando
sete dias a cavalo
.
E agora vejam as meninas do sobrado
por onde somos,
além & aquém do Una
gloriosos e derrotados
os ambulantes de Deus.

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(*)Poema-colagem, onde se destacam, em negrito,
títulos dos livros de ficção
publicados por Hermilo Borba Filho.


(Da antologia POETAS DOS PALMARES, 2a. edição,
organizada por Juareiz Correya, publicação da
Fundarpe/Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes/
Fundação Casa da Cultua Hermilo Borba Filho,
Recife/Palmares,PE, 1987)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya.
- Panamerica Nordestal, Recife, PE, 2010

sábado, 11 de fevereiro de 2012

GÊNESIS

no dia da criação
o amor me fez
- céu
e te fez
- terra
e vendo que em nós
a vida havia gerado
ele se transformou
na mulher que tu és
e no homem que eu sou
e para sempre
se eternizou



(Da antologia POETAS DOS PALMARES, 2a. edição,
organizada por Juareiz Correya
- Fundarpe / Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes /
Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho,
Recife/Palmares,PE,1987)



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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

sábado, 28 de janeiro de 2012

A NOVA POSE DE REAGAN




Mais uma vez te apossas da América.
Mais uma vez te transformas
em Águia sanguinária do Ocidente,
tu, Ronald Reagan,
que em toda a tua vida
não passaste nunca
de um caubói de segunda categoria.

Hoje, novamente conduzido
pelas mãos cegas dos teus eleitores,
imundos racistas imperialistas,
tu projetas o sonho americano
do reino soberano dos Estados Unidos
sobre toda a Terra.

De fato, reinarás,
porque a América mais uma vez
estremece inteira.
As nações de todo o mundo estremecem
porque tu tens o Poder
de possui-lo.

Mas alguma coisa está mudando
em ti, e em teu glorioso Poder.
Distante do mundo e dos homens
que em nome do teu povo assassinas e silencias,
tu ensaias a nova posse,
fazendo a pose de uma cerimônia circense,
e te armas com foguetes anti-mísseis,
batalhões de soldados contra-terroristas,
além da super-proteção
de muralha à prova de bala,
colete de cristal
e limusine blindada.

Tu não és apenas o velho caubói
que volta a possuir a América
e a ameaçar o mundo inteiro
com as tuas armas
- eternos brinquedos.

Tu também tens cu,
tu também tens medo.



(Olinda, 20/janeiro/1985)

- Do livreto AMÉRICA INDIGNADA,
de Juareiz Correya (Brasil)
e Hector Pellizzi (Argentina),
Panamerica, São Paulo, SP, 1986


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

domingo, 8 de janeiro de 2012

LOUVOR À VIDA E REPÚDIO Á MORTE DE ERNESTO CARDENAL

O envio de uma frota naval norte-americana
a águas centro-americanas "é uma bofetada
no libertador Simon Bolívar", afirmou o
ministro da Cultura, da Junta Sandinista,
Ernesto Cardenal.
(DIARIO DE PERNAMBUCO, Recife, 24/07/83)




Ernesto Cardenal, irmão necessário
da nossa América sonhada.
Teus poemas continentais foram ouvidos por Deus.
Teus poemas escritos com sangue,
sob forjadas cadeias e o fogo dos canhões
salmos de verdade e amor
cantados pela liberdade do teu povo
e pelo júbilo de tua terra,
arruinaram o trono do ditador Somoza
e deram-lhe fim mais mortal do que as metralhadoras
e as bazucas benditas da Revolução.

Ernesto Cardenal, irmão revolucionário
da nossa América vilipendiada.
Com o teu coração cultivaste a esperança
dos homens e das mulheres e das crianças
renascidos na tua pequena Nicarágua,
com novo sol, nova luta, novas armas, novo ardor,
reconstruindo a pátria legitimada pela inteira libertação.

Ernesto Cardenal, irmão libertário
da nossa América assassinada.
Teus gritos não foram ouvidos por Deus.
Os gritos de Sandino, de Guevara, de Neruda, de Victor Jara,
os gritos americanos gritados há mais de mil anos
são roubados aos ouvidos de Deus
pelo sanguinário presidente dos Estados Unidos da América Assassina,
que covardemente esbofeteia Bolívar o Libertador
e maquina a tua morte com a outra mão.


(Olinda, PE, julho, 1983)


Do livreto AMÉRICA INDIGNADA
- Poemas de Juareiz Correya (Brasil)
e Hector Pellizzi (Argentina)-
Panamérica, São Paulo, SP, 1986


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal, Recife, PE, 2010.