domingo, 30 de janeiro de 2011

Sem Título ("a mulher agora é terrível")





a mulher agora é terrível
é terrível e esta palavra é pouca,
eu não sei como abarcar a grandeza
da miséria a que ela nos condena.
e antes,
e cedo mesmo quando esteve comigo
companheira e amiga
sua dor e sua solidão me cativaram
pelos dias em que historiamos a nossa sorte
vagos e plenos, em nós o universo.
eu quis lhe dar e lhe dei
os meus alvoroços e a minha calma
e o gosto que eu sempre tive
de me dizer seu.
ela me acolheu e me disse generosa
que me recebia e me queria
com a certeza de quem ia me receber
e me querer muito mais.
agora, o tempo não é de alegria
nem festa alguma existe em nossa volta
ou nos encontros que forçam os nossos passos.
existe em mim
uma dor e uma solidão que eu nunca tive
e a desgraça de vê-la terrível
como eu nunca vi.



(do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA,
de Juareiz Correya
- Nordestal Editora, Recife, 1982)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editora, Recife,Pe, 2010

sábado, 15 de janeiro de 2011

(SEM TÍTULO, 2) "dói em mim uma dor danada..."




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dói em mim uma dor danada
que eu não quero ter e que não recuso.
um gesto que eu não conheço me condena,
a voz transborda iras e terrores.
a mulher que eu amei é logo desamada
num abandono cego e pessimista.
amanhã eu não sei o que dizer do amor
para que não seja apenas uma palavra.
meus sentimentos se perdem e se confundem
e eu me esqueço de mim,
falho nos sonhos erro nas esperanças
passo batido e retardatário
no ciclo dos dias, me sinto sem forças
para conduzir meu próprio fardo.
que olhos brilharei para a mulher que amo
quando ela aparecer cansada e triste ?
dói em mim uma dor danada
que eu não quero ter por que repartir
com essa companheira
sofrida em meus caminhos
inútil e vaga em sua sorte
que eu não quero ter e que não recuso.



(do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA,
de Juareiz Correya -
Nordestal Editora, Recife, PE, 1982)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editora, Recife,PE, 2010.

domingo, 9 de janeiro de 2011

(SEM TÍTULO)



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estou triste porque não disse do amor
alegres palavras que alvoroçassem teu sangue
e te perdessem em nosso encontro.
estou triste e inútil, cansado pelas ruas
e becos e praças e grotas e grutas
deste lugar que enfeitei contigo
para te inaugurar e te fazer morada.
é uma tristeza sem álcool nos olhos
e sem olheiras, sem amargor e sem derrota
tristeza triste
contra a alegria de te ver.
serena em mim um rebanho de temores
pastando nesta noite de distâncias.
ninguém nos vê,nem sabe do nosso desamparo
e do carinho que não tratamos
quando estivemos juntos.
ninguém vê que não nos vemos
e que não sabemos de nada do que dissemos
e que não fazemos o que queremos.
esta tristeza cresce e me espanta
se estendendo sobre pontes e rios
como se pudesse te encontrar
e, onde estás, enterrar teu rosto em sombras
e teu coração em apertos


(do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA,
de Juareiz Correya, Nordestal Editora, Recife, 1982)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010