sábado, 25 de setembro de 2010

CANÇÃO DE MIM EM TUA BOCA




desfolho a glande ao vento
para o teu sustento
prepucio nervos pulsantes, teu hálito
sopra em meu sexo aragens cardíacas, batem
neste músculo mágica oferta
teus olhos acendem a escuridão do quarto
com os mesmos faróis apagadores de sóis marítimos
chão liso piso palha colchas mata praia
água-rio aguamar reviramos as horas
revezamos faunas floras e a história de se dar.
tua boca se debruça em mim feita céu movente
cobre meu corpo sem palavras estelares consteladas
para animar meus movimentos terrenos :
apenas cios cios tua voz teleguia carícias
me banha sons roucos poucos
esparsados, é intensa a tua fome.
alimento, o vigor que me nasce vem de ti
e eu dedico emoções ao teu sorriso tenso
de dentes e línguas expostos luminoso de sede
eu te ergo em obelisco minha carne germinada
se elaborando do âmago de fundos poços.
tua boca presa em mim lambe espadas do púbis
derrama as serpentes da tua língua hábil
no monumento que te ebria e eleva as tuas forças
para a garganta sangrando a tua baba
que chove quente aduba meus escrotos.
eu sou teu, me esforço nesta dádiva ouvindo tua ânsia
a voz murmurada mastigando meu pênis,teus membros
prensam meu corpo com gestos espasmódicos.
tua boca sensual efervesce meu sangue
e amplia meu sexo para dentro de ti
eu me jogo em teu rosto, vagina
de doces lábios macios dentes incandescente língua
tua boca me absorve desentranha meu gozo
concentrado nestas ereções crescentes
em que eu brilho minha essência
me ejaculando de raízes revoltas




(do livreto O AMOR É UMA CANÇÃO PROIBIDA,
de Juareiz Correya - Edições Pirata, Recife, 1979)

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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editora, Recife, 2010


sábado, 11 de setembro de 2010

OUTRO POEMA DE CIRCUNSTÂNCIA




meus pulmões transbordam-me pela boca
de granito automóveis & metálicos minotauros
vagos como balões de espuma
na Praça da República
gritos & estupros entram pelos meus ouvidos
& a orquestra é uma tarde fixa
quente, quente, mais quente e atordoante
que o teu orgasmo.
parar, parar assim como um idiota
parado entre tantos animais feridos que correm
para me pisar com os seus cascos de nailon,
parar estupidamente & expor-me as vísceras
para que os pássaros condenados cantem berros de vitórias
nos seus carnavais criminosos ?
parar assim como uma pedra uma bala uma vítima ?
parar assim como quem perde as pernas durante o vôo
& estender a cara sobre a cidade
& estender langores & delírios para as tuas correrias,
para os teus sentimentos automáticos & cronometrados,
para as tuas sensações censuradas & computadas,
& ser um pouco matéria lubrificante óleo
para os corações dos robôs nas peças dos homens ?
eu quero beijar o sexo verde
da menina que passa agora de vestido vermelho
pegada na mão de um homem que é talvez seu pai,
beijar-lhe o sexo impúbere todo todo avidamente beber
os suores dela como quem bebe licores
de cálice desfolhado.
As jovens burguesas desfilam
sua fétida sua odiosa beleza
vestida pelas agências de publicidade
& colorem a própria vaidade com a merda estrangeira
& riem alegremente, os corpos crivados
com as facas do seu engano trágico eu grito
& incendeio a avenida caminhando para dentro do meu peito
com os seus pederastas fanáticos
& as suas putas heróicas
& as suas meretrizes oficiais
bêbedos de guerras multisexuais
& os seus gritos de sanguebrancogeladonasveias
minha loucura copula em reuniões sagradas
publicamente
com as mulheres de bronze da Praça da República
& do Largo do Arouche
eu fodo com as mulheres de bronze
de todas as praças & de todos os jardins públicos,
& os meus olhos fálicos
inundam os sonhos de todas as meninas soltas,
eu sou um monstro & contemplo os teus rostos
& corto as tuas cabeças
para enfeitar estes lugares estripados
pelo sol



(do livreto O AMOR É UMA CANÇÃO PROIBIDA,
Juareiz Correya - Edições Pirata, Recife, 1979)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editora, Recife, 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

ATO

no meio da cama me ergo & Sônia se ergue me acompanha com as mãos os dedos crispados as pernas tesas Sônia se deita se espicha se solta nos lençóis mal lavados da cama do hotel fico imóvel sentado sobre as minhas pernas & o pé esquerdo de Sônia procura-me o pênis semiduro eu rio & Sonia enfia o pé esquerdo na minha barriga deitando-se deitada Sônia cresce cresce tem um púbis gigante & as coxas volumosas como dois pilares eu me jogo para as pernas de Sônia duas montanhas lisas & alcanço o rosto de Sônia que se abre Sônia cabe dentro de mim cabe em todas as minhas partes & agora eu cresço a pele inchada músculos veias os membros inchados



(do livreto O AMOR É UMA CANÇÃO PROIBIDA,
Juareiz Correya - Edições Pirata, Recife, 1979)




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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editora, Recife, 2010)