quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

FLASHEGRAFIA




eu sou tantas vezes uma façanha inédita
mas a rua é pouca para o meu corpo a rua a rua
é pouca eu vibro e os cordões que me ligam
nos ossos têm mil bombardeios-ziguezague
como todos os carnavais
são tão fracos para que eu estire a pele entregue a pele
às carícias do vento e montes de sol meu corpo
meu corpocolorido meu cor po colori do meu korpu kolorydo
meu corpo colorido
se adianta para que ninguém adormeça
e anjos e demônios dancem nus
e conheçam-se os sexos
para você eu me dou e me amplio
inteiramente quero expor entre os dedos teus desejos
quero os meus sentidos crus comidos pelo teu sorriso
esporrado eu me dou e me amplio assim
e as ruas são curtas para o meu corpo colorido
luzverberando luzes e uma multidão de batuques
meus olhos acesos faróis gigantes
espalham flores vermelhas nas calçadas nas portas
e espalham flores maiores que as casas
flores vermelhas meus olhos acesos faróis gigantes
nem a avenida
larga como o dorso de uma montanha
nem a avenida sustenta o meu corpo
e eu quero abrir os braços
para que os músicos saiam das carnagens
do meu peito e atropelem
subam nos meus braços pulem
no chão liso destes músculos descascados
subam em mim com ritmos de frevos loucos
eu me reparto com vocês tomem
e a cidade inteiranormal tão grande não tem espaço
para o meu corpo colorido o meu corpo colorido
o meu corpo colorido cobre a cidade como um véu
estraçalhado de luzes ferozes e batuques
e batuques
cantem, rasguem as gargantas
eu cresço
mastigo os ares como uma granada
multiplangente me afogo no meu suor
bebedo, com estrelas e
planetas nos bolsos



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(do folheto UM DOIDO E A MALDIÇÃO DA LUCIDEZ,
Juareiz Correya, edição do autor, Palmares,PE,1975)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

PARAFRASE A MAIAKOVSKI

"sou todo coração"
(MAIAKOVSKI)



nos demais
- isto se sabe naturalmente
e mesmo com certa vulgaridade -
o sexo está plantado
(entre as pernas)
num altar sob o ventre.
em mim
a anatomia bemlouqueceu :
sou todo sexo



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(do folheto UM DOIDO E A MALDIÇÃO DA LUCIDEZ,
de Juareiz Correya, edição do autor,
Palmares, PE, 1975)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

HISTÓRIA NATURAL DO NOJO

abro a cara :
o mundo me oferece
homens e mulheres
que esqueceram de ser parceiros
e são pariceiros no amor.





(do folheto UM DOIDO E A MALDIÇÃO DA LUCIDEZ,
de Juareiz Correya, edição do autor, Palmares, 1975)