sábado, 26 de fevereiro de 2011

UMA VEZ BEBENDO, BEBENDO ATÉ MORRER





de bar e de bares,
de porres vazios, de histórias sem graça,
eu conto esta hora.
não importa se bebi, ou de que bar eu vim,
nem se me embebedei no fim da festa.
importa é este gesto,
inútil voz desesperada
tentanto alcançar alguns homens.
importa,
e que importância tem depois
se eu já nem sei
se depois me importa qualquer coisa ?
fico nu
e a verdade é que não estou só,
nem com ninguém, nem tenho ninguém
a me esperar chegando em casa de táxi.
tento acertar comigo o tempo que eu não conheço,
a merda do dia, o cu da existência,
num buraco infinito de pauleiras.
não é nada disso e eu devo dizer
É ISSO AÍ,
está tudo na pior e eu só sei dizer
TUDO BEM,
e quando as cachaças as cervejas as companhias
me embebedam,
eu nunca sei o que será de mim.
jamais me contento,
mas eu engulo sempre o pão que o diabo amassou,
as dores dos cornos,
as glórias dos babacas,
os uísques nacionais dos bundamoles
e o samba-canção dos machos sem tesão.
eu vivo mais cheio que o saco das garçonetes
nas sextas e nos sábados.
por muitos caminhos perdi meu rumo
e não gosto dessa espera.
se algum dia alguém me perguntar
se fui eu quem escrevi estas coisas,
negarei três vezes.
mas a chave do céu das palavras
eu tenho
e sobre elas edificarei
as garrafas e as mesas



(do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
- Juareiz Correya,
Nordestal Editora, Recife,PE, 1982)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20
- Juareiz Correya,
Panamérica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

SEM TÍTULO, 4 ("como uma coisa odiosa...")




como uma coisa odiosa te deixarei murchar à margem
da memória que me cobre os dias, sem uma sombra
onde guardar teu nome. eu sou o mesmo e me diviso
onde divido a história que nos espelha.

amamos, e de tudo sobram restos de viver confundidos
nos rostos que ostentamos com máscaras rotas.
os amantes aprendem a silenciar também.

tu és agora um bicho vulgar que não acentua
a mímica mais fácil de conduta animal.
e eu que amante sorri com as alegrias

de descobrir as tuas descobertas e plasmar
teus desejos na substância dos meus,
reconheço, sem riso, com palavras ásperas,
que sou capaz de te odiar também.




(do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA,
de Juareiz Corerya -
Nordestal Editora, Recife,PE,1982)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20,
de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal, Recife, PE, 2010

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Palmares realiza "Encontro Literário da Mata Sul" em setembro

Palestras, debates, lançamentos, feira de livros, recital de poesia, música e artes plásticas fazem parte da programação do "1o. ENCONTRO LITERÁRIO DA MATA SUL DE PERNAMBUCO", a ser realizado em Palmares, de 15 a 18 de setembro deste ano. Edições e reedições de livros de Hermilo Borba Filho (Palmares), Aristóteles Soares (Catende), Waldemar Lopes (Quipapá), Nelson Chaves (Água Preta), escritores já falecidos e consagrados no Estado, serão lançadas e destacadas durante todo o Encontro. Autores novos, inéditos e publicados, da região, terão também os seus trabalhos lançados no evento, que promoverá, da quinta-feira (15) ao domingo (18), uma movimentada feira de livros no centro da cidade.

Com a coordenação geral dos escritores Juareiz Correya (Panamérica Nordestal Editora) e Alexandre Santos (União Brasileira de Escritores - Seção de Pernambuco), o ENCONTRO LITERÁRIO DA MATA SUL DE PERNAMBUCO , iniciado em Palmares, neste ano de 2011, será realizado, a cada ano seguinte, em um novo município destacado da região.