sábado, 12 de dezembro de 2015

AMERICANTO AMAR AMÉRICA : Opiniões de Leda Rivas e Montez Magno





"Nos versos de Juareiz Correya, uma canção de amor desesperada. 
A América lhe dói, como a Espanha doía a Unamuno. 
É parte de sua vida, de sua carne  e de sua alma, 
suga-lhe o sangue, explode em suas artérias, marca, 
cruelmente, os seus passos de poeta." 

(LEDA RIVAS  
- Diário de Pernambuco, 
Recife, 1982) 



"Em Americanto Amar América o seu anti-lirismo é pujante. 
não sendo envolvido por diáfanos e enganadores véus
mas revestido de uma grossa crosta perfurante, 
emissora de sonoridades incomodatícias aos ouvidos 
dos que ainda não se aperceberam que os sons mais comuns 
e constantes do nosso tempo são os das metralhadoras 
e dos tanques de guerra." 

(MONTEZ MAGNO  
- Olinda, 1982) 





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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya  
(Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010)  

domingo, 1 de novembro de 2015

"RETRATO 3 X 4 DE JUAREIZ CORREYA" (5) - Texto de Jaci Bezerra







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     Este livro de Juareiz Correya, que reúne produções de várias épocas já publicadas anteriormente sobretudo em forma de livretos e folhetos de cordel, sendo, no seu conjunto, o discurso de parte de uma vida, a sua, pode ser encarado, por outro lado, como representativo de uma fase agressivamente renovadora da poesia brasileira atual : exatamente a que vem sendo imposta pelos movimentos alternativos.

     Ao contrário dos donos da cultura, que olham com desprezo e nojo, ou, no mínimo, complacentemente, essa poesia através da qual os novos rompem e escancaram o hímen da poesia, isso de maneira salutarmente rebelde, não tenho dúvidas de que ela veio para ficar. E um exemplo, entre muitos, é constituído por este livro. Discursivo, às vezes, mas sobretudo, e acima de tudo, a criação de um poeta que é verdadeiramente poeta. Nele, devo confessar que me vejo, e nele vejo uma força vital, que cresce, que sobe e avança, e se colocando ao largo das tristes mesquinhezas humanas, continuará batendo e pulsando no coração do homem, esse barro frágil que respira e anda."
(JACI BEZERRA) 



(Posfácio de AMERICANTO AMAR AMÉRICA, 
Nordestal Editora, Recife, PE, 1982) 


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20 
- de Juareiz Correya / 
Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010


domingo, 13 de setembro de 2015

"RETRATO 3 x 4 DE JUAREIZ CORREYA" (4) - Texto de Jaci Bezerra





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     Para os que se arvoram em proprietários da Arte, Juareiz Correya se situa dentro do universo da poesia que, hoje, hostilizada e por eles recusada, é chamada de alternativa e marginal.  Acredito que Juareiz, consciente do seu ofício e dos seus propósitos, deve encarar com irreverência essa colocação.  Creio que não vale a pena discutir, nos dias que correm, as posições dos que, ao longo do tempo, tentaram traçar e impor normas e limites para a arte através dos discursos produzidos menos pela serenidade dos olhos, que se mantêm honesta e serenamente abertos, do que por equívocos e frustrações.  Juareiz Correya, na verdade, poeta acima de rótulos, foi, no Recife, e talvez deva acrescentar, em Pernambuco, um vanguardista no que se refere à eclosão dos movimentos alternativos e marginais no Brasil.  O que, para aqueles que acompanham lisamente, sem subterfúgios, o processo cultural brasileiro, deve constituir motivo de orgulho.  Nele, aliás, a aceitação, a descoberta dos suportes utilizados hoje pelos poetas alternativos para dar conhecimento de suas produções, acentuou a sua vocação de andarilho.  E mais do que a sua vocação de andarilho, a sua condição de poeta que se sabe poeta e exige de si próprio partindo das suas necessidades e das necessidades de nossa época, independente de preceptores oficiais, como fazem maiuscularmente os poetas, independente ou não de serem alternativos, compor o seu canto, a sua música, a sua voz : "aqui eu fecundo uma nova espécie, a raça / que não nasceu hoje & nascerá sempre : / eu inauguro, sem festas, o poema." 


(Posfácio de AMERICANTO AMAR AMÉRICA, 
 Nordestal Editora, Recife, 1982) 


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20 - de Juareiz Correya 
(Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010) 

sábado, 18 de julho de 2015

"RETRATO 3 X 4 DE JUAREIZ CORREYA" (3) - Texto de Jaci Bezerra




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     "Ouso dizer que em Juareiz Correya a vida e a poesia estão entranhadas na mesma argila e no mesmo barro. A sua poesia, digamos assim, é o reflexo exato de suas atitudes e ações no mundo, Ele acredita, com uma crença visceral, no poder das palavras como instrumento de denúncia e combate.  Mas nunca nas palavras bem comportadas, adoçadas pelo açúcar lírico que durante um tempo bastante longo marcou nocivamente parte substancial da poesia brasileira : a palavra domesticada, asséptica, esterilizada, cheirando a desodorante e apertada nos nós dos espartilhos.  Juareiz acredita na palavra solta e livre, fruto que os poetas, sentados à mesma mesa, também soltos e livres, podem dividir fraternalmente.  Por isso mesmo ele as usa sensualmente, como se ele e a palavra fossem amantes que, na intimidade do amor, se concedessem todas as liberdades.  E porque a palavra é a amada que escolheu, e porque sabe, ainda, que essa forma de amor, quando exercida plenamente, hoje como ontem, é só discretamente tolerada, proclama de maneira olímpica a sua posse : "vocês pensam que aceleram sua própria sorte, / vocês sabem apenas que nós somos inúteis, jamais necessários, / no passeio da ponte sou eu quem falo / e aqui me acendo, me dou e me escangalho / 
aqui sou poeta, oferta, passagem." 




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Fragmento do posfácio do AMERICANTO AMAR AMÉRICA 
- Nordestal Editora, Recife, PE, 1982 / 
Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA 
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya 
(Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010) 

sábado, 28 de março de 2015

"RETRATO 3 X 4 DE JUAREIZ CORREYA" (2) - Texto de Jaci Bezerra






     "Juareiz Correya, dizia eu, é uma pessoa feita de excessos. Mas não dos excessos que ofendem as pessoas e minimizam a vida. Ao contrário, ele parece-me excessivo, despudoradamente excessivo nos seus gestos e atitudes, porque ama despudoradamente a vida. E esse amor e despudor que, por vezes, parece ofender, não importam as razões alegadas, o senso de decência das pessoas, consequências de uma liberdade rara, arduamente conquistada e facilmente constatável, é o que torna incendiariamente viva a sua poesia. Ao escrever, Juareiz dispensa os veludos e as filigranas da moda, e é o mesmo Juareiz rútilo de vida que estamos acostumados a ver e ouvir : o  que se abre em risos, o que convive com os sonhos, o que não aceita imposições, o que ama e estuda os poetas populares, o que publicou Ascenso, o que distante dos deuses e dos valores da nossa época está sempre nas ruas e nas esquinas ao lado dos homens.  Sabe, porém, que "a rua é pouca para o meu corpo, a rua a rua."  Mas ainda assim não hesita em dividir os seus sonhos : "subam em mim com ritmos de frevos loucos / eu me reparto com vocês tomem / e a cidade inteiranormal não tem espaço /  para o meu corpo colorido o meu corpo colorido / o meu corpo colorido cobre a cidade como um véu / estraçalhado de luzes e batuques / e batuques / cantem, rasguem as gargantas / eu cresço / mastigo os ares como uma granada / multiplangente me afogo no meu suor / bêbedo, com estrelas / e planetas nos bolsos." 

     

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Fragmento do posfácio de AMERICANTO AMAR AMÉRICA 
- Nordestal Editora, Recife, PE, 1982  / 
Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA 
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya  
(Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010)  




quinta-feira, 12 de março de 2015

RETRATO 3 x 4 DE JUAREIZ CORREYA (Texto de Jaci Bezerra)





     "O poeta Juareiz Correya nunca aceitou, em nenhuma circunstância, as roupas bem talhadas dos figurinos tradicionais.  Esta afirmação, produto de uma amizade exercitada ao longo de anos inquietos e sofridos, é plenamente endossada pelo escritor Marcus Santanetti, que fez a apresentação do seu primeiro livro e conviveu com o poeta na época em que ele, saturado de Palmares e Recife, exilou-se voluntariamente em São Paulo.  Diria que Juareiz é uma pessoa feita de excessos.  E o Recife e Palmares, os que insistem em masoquistamente continuar amando o Recife e Palmares, acostumaram-se, já, a conviver com o seu perfil de lâmina, aos seus jeans desbotados e azuis, à sua voz que parece tinir como o ruído dos copos dentro das tardes e das noites recifenses, ao generoso desperdício de gestos das suas mãos de dedos longos e brancos, à sua risada ostensivamente escandalosa.  E, do mesmo modo, o Recife e Palmares também já se acostumaram à seriedade com a qual ele, Juareiz Correya, trata da poesia e dos assuntos relacionados à arte, de maneira geral. Os que têm o privilégio de  sua convivência não se surpreendem com o seu dom de criar e inventar milagres; quanto aos outros, os gratuitamente hostis e desinformados, aqueles que respeitam apenas o poeta e a poesia engravatados, estes, embora duvidem ou tentem duvidar dos seus dons de feiticeiro, têm que se render diante da evidência dos milagres por ele praticados."

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Trecho inicial do posfácio do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA,
de Juareiz Correya  (Nordestal Editora, Recife, PE) / 
Reeditado no livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS 
POEMAS DO SÉCULO 20 
(Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

OPINIÃO DE GENETON MORAES NETO






"AMERICANTO é na verdade uma significativa declaração de amor a essa América de todos os campos, gritos, silêncios, sossegos e agonias. Vale a pena ler o trabalho desse jovem poeta, dono de uma linguagem forte e cortante." 




GENETON MORAES NETO 
("Ensaio Geral / Diário de Pernambuco, 
Recife, PE, 1975)