sábado, 28 de janeiro de 2012

A NOVA POSE DE REAGAN




Mais uma vez te apossas da América.
Mais uma vez te transformas
em Águia sanguinária do Ocidente,
tu, Ronald Reagan,
que em toda a tua vida
não passaste nunca
de um caubói de segunda categoria.

Hoje, novamente conduzido
pelas mãos cegas dos teus eleitores,
imundos racistas imperialistas,
tu projetas o sonho americano
do reino soberano dos Estados Unidos
sobre toda a Terra.

De fato, reinarás,
porque a América mais uma vez
estremece inteira.
As nações de todo o mundo estremecem
porque tu tens o Poder
de possui-lo.

Mas alguma coisa está mudando
em ti, e em teu glorioso Poder.
Distante do mundo e dos homens
que em nome do teu povo assassinas e silencias,
tu ensaias a nova posse,
fazendo a pose de uma cerimônia circense,
e te armas com foguetes anti-mísseis,
batalhões de soldados contra-terroristas,
além da super-proteção
de muralha à prova de bala,
colete de cristal
e limusine blindada.

Tu não és apenas o velho caubói
que volta a possuir a América
e a ameaçar o mundo inteiro
com as tuas armas
- eternos brinquedos.

Tu também tens cu,
tu também tens medo.



(Olinda, 20/janeiro/1985)

- Do livreto AMÉRICA INDIGNADA,
de Juareiz Correya (Brasil)
e Hector Pellizzi (Argentina),
Panamerica, São Paulo, SP, 1986


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

domingo, 8 de janeiro de 2012

LOUVOR À VIDA E REPÚDIO Á MORTE DE ERNESTO CARDENAL

O envio de uma frota naval norte-americana
a águas centro-americanas "é uma bofetada
no libertador Simon Bolívar", afirmou o
ministro da Cultura, da Junta Sandinista,
Ernesto Cardenal.
(DIARIO DE PERNAMBUCO, Recife, 24/07/83)




Ernesto Cardenal, irmão necessário
da nossa América sonhada.
Teus poemas continentais foram ouvidos por Deus.
Teus poemas escritos com sangue,
sob forjadas cadeias e o fogo dos canhões
salmos de verdade e amor
cantados pela liberdade do teu povo
e pelo júbilo de tua terra,
arruinaram o trono do ditador Somoza
e deram-lhe fim mais mortal do que as metralhadoras
e as bazucas benditas da Revolução.

Ernesto Cardenal, irmão revolucionário
da nossa América vilipendiada.
Com o teu coração cultivaste a esperança
dos homens e das mulheres e das crianças
renascidos na tua pequena Nicarágua,
com novo sol, nova luta, novas armas, novo ardor,
reconstruindo a pátria legitimada pela inteira libertação.

Ernesto Cardenal, irmão libertário
da nossa América assassinada.
Teus gritos não foram ouvidos por Deus.
Os gritos de Sandino, de Guevara, de Neruda, de Victor Jara,
os gritos americanos gritados há mais de mil anos
são roubados aos ouvidos de Deus
pelo sanguinário presidente dos Estados Unidos da América Assassina,
que covardemente esbofeteia Bolívar o Libertador
e maquina a tua morte com a outra mão.


(Olinda, PE, julho, 1983)


Do livreto AMÉRICA INDIGNADA
- Poemas de Juareiz Correya (Brasil)
e Hector Pellizzi (Argentina)-
Panamérica, São Paulo, SP, 1986


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal, Recife, PE, 2010.