sexta-feira, 7 de agosto de 2009

VELHA SECA

Se vocês conhecessem a mulher que eu falo
não saberiam o que dizer.
É difícil imaginar uma mulher desprezível ?
Quando ela se aproxima da gente
não há quem não reaja de algum modo,
e são fáceis as caras de nojo e as brincadeiras,
eu penso que ela vive de esmolas que lhe dão,
ou se embebeda à toa,
a velha ri com os dentes estragados
sem equilibrar-se nas pernas finas, as pernas finas
dela em meias ralas de lã
e um casaco pobre que ela aperta
para abrigar o peito murcho,
a velha ri e diz coisas ininteligíveis
como uma caveira alegre.
Ontem eu estava louca pra fazer, ela disse assim
sem espantar as caras habituais do bar.
E contou se afogando no copo de vinho
que procurou um homem a noite inteira
e não encontrou nada,
que passou a noite inteira com vontade
de sentir um homem entrando nela
e ela entrando no homem,
ela disse que ficava sem saber o que fazer
quando tinha vontade, ficava como louca
procurando homens o dia inteiro.


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(antologia POETAS DE PALMARES,
Palmares, 1973)

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