sábado, 10 de dezembro de 2011

POEMA DE CIRCUNSTÂNCIA





não tenho tempo de escrever este poema
sábado roto, embora cheio de sol,
esta cidade puta não oferece perspectivas
para que eu ame uma mulher de verdade
a qualquer hora
este poema tem o suicídio de um general
& guerra religiosa nas ruas de Belfast
por que vocês não matam logo o presidente dos Estados Unidos ?
& uma avalanche assassina
com 60 mortos a domicílio


este poema sem tempo
parido nos meus & nos teus hábitos
cobrados à força no pedágio
tem desastres mirabolantes tão simples
& o cheiro de peixes fritos
& disparadas músicas no teu quarto,
burguesinha.


VIA TELEX

ESCREVO ESTE POEMA NÃO HÁ MAIS TEMPO DE ESCREVER ESTE POEMA MAS EU NÃO POSSO ESQUECER QUE MILHARES DE PESSOAS ESTÃO MORRENDO AGORA QUE A SOLIDÃO COME OS HOMENS EM PRATOS SUJOS E SABOREIA AS SUAS DORES COM UISQUE SAFADO QUE O AMOR EH UMA BOSTA DE PECADO EM TODAS AS CABEÇAS QUE NÃO HÁ HOMENS E MULHERES SE AMANDO NAS PRAÇAS NOS ÔNIBUS NOS TRENS ELÉTRICOS NAS CALÇADAS DO CHÃO DAS RUAS NÃO HÁ HOMENS E MULHERES SE AMANDO DESESPERADOS SE AMANDO COM MUITO DESESPERO SE AMANDO MUITO PORQUE NÃO HÁ MAIS TEMPO




(Do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA,
Nordestal Editora, Recife, PE, 1982)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

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