sábado, 31 de dezembro de 2011

DISCURSO POÉTICO

"todo poeta é um subversivo"
(Juareiz Correya)


subverto as manhãs com esta violência
de tardes e noites inconsequentes
escangalhando o dia sem contar as horas
faço o tempo pelos ponteiros que perdi
e instituo o levante da minha decadência
não troco a língua nem vendo o nome
decretando entregas e condenando recusas
estandarte de ilusões rasgadas
não canto hinos com estribilhos de amor
por viver inseguro do tamanho de uma pátria
eu me limito à nação que me chamo
e a cada instante república nova proclamo
contra o império da dor e do abandono
anistio vencedores elejo quem se derrota
livro prisões dos horrores dos homens
marcha nas ruas o exército da minha desordem
e eu abro portas com as mãos do regresso



(Do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
- Nordestal Editora, Recife, PE, 1982)



___________________________________________
Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20,
de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

Nenhum comentário:

Postar um comentário