sábado, 5 de novembro de 2011

PÁSSARO PINTADO

"Por um instante a surpresa tolhia os pássaros.
A mancha colorida voava em meio ao bando,
tentando convencê-los de que lhes pertencia.
Mas, confundidos pela plumagem brihante,
os outros o rodeavam incrédulos e quanto mais
o passáro pintado tentava incorporar-se ao bando,
mais o rejeitavam. Logo, um depois outro,
começavam a atacá-lo, arrancando-lhe as penas
multicores, até fazer-lhe perder as forças,
precipitando-o ao chão."
(JERZI KOSINSKI)




Vou andar por aí em nome dos homens.
Sujeito da vida a qualquer mudança
estarei com os meus, iguais semelhantes,
na rota dos passos,de aérea esperança,
aérea,pois não.
E direi que sou o meu próprio nome
-identificado homem,
para vivermos juntos a mesma humanidade.
NÃO IMPORTA COMO NÃO IMPORTA VG
sim a humana identidade.
Mesmo que eu lhes pareça espantalho,
que não copie a sua moda,
nem altere a multidão dos que estão na fila
conjugando o tema do dia do sistema.
Mesmo que a minha voz
palavre o nosso sangue e em suas bocas
eu reconheça exércitos
de dentes armados.




(Do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA,
Nordestal Editora, Recife, PE, 1982)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editora, Recife, PE, 2110.

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