sábado, 6 de novembro de 2010

FLOR QUE NÃO SE CHEIRA





sou flor que não se cheira, tenho é veneno
eu mato e tiro o couro, depois condeno.
sou bicho doutro mundo, vivo em tocaia
espero todo dia que a casa caia.


mas tem hora que sinto e me conheço
direto e certo, compasso e prumo
sem saber porque me orientando
feito universo de todo rumo


e saio de mim e me entrego tanto
vendaval no coração da cidade
cada vez mais nu e louco e santo
só minha paixão por tudo arde


e sinto e sou e saio e salto
cada vez mais alto e largo e fundo
navego meu rio, capricho meu barro
voando meu fogo purifico o mundo



(do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA,
de Juareiz Correya
- Nordestal Editora, Recife, PE, 1982)



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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20,
de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal Editrora,Recife, PE, 2010.


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