sábado, 18 de julho de 2015

"RETRATO 3 X 4 DE JUAREIZ CORREYA" (3) - Texto de Jaci Bezerra




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     "Ouso dizer que em Juareiz Correya a vida e a poesia estão entranhadas na mesma argila e no mesmo barro. A sua poesia, digamos assim, é o reflexo exato de suas atitudes e ações no mundo, Ele acredita, com uma crença visceral, no poder das palavras como instrumento de denúncia e combate.  Mas nunca nas palavras bem comportadas, adoçadas pelo açúcar lírico que durante um tempo bastante longo marcou nocivamente parte substancial da poesia brasileira : a palavra domesticada, asséptica, esterilizada, cheirando a desodorante e apertada nos nós dos espartilhos.  Juareiz acredita na palavra solta e livre, fruto que os poetas, sentados à mesma mesa, também soltos e livres, podem dividir fraternalmente.  Por isso mesmo ele as usa sensualmente, como se ele e a palavra fossem amantes que, na intimidade do amor, se concedessem todas as liberdades.  E porque a palavra é a amada que escolheu, e porque sabe, ainda, que essa forma de amor, quando exercida plenamente, hoje como ontem, é só discretamente tolerada, proclama de maneira olímpica a sua posse : "vocês pensam que aceleram sua própria sorte, / vocês sabem apenas que nós somos inúteis, jamais necessários, / no passeio da ponte sou eu quem falo / e aqui me acendo, me dou e me escangalho / 
aqui sou poeta, oferta, passagem." 




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Fragmento do posfácio do AMERICANTO AMAR AMÉRICA 
- Nordestal Editora, Recife, PE, 1982 / 
Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA 
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya 
(Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010) 

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