sábado, 15 de fevereiro de 2014

O QUE É MEU (Paráfrase a Jorge Luís Borges)




"Amamos o que não conhecemos, 
o já perdido." 
                        (Jorge Luís Borges) 


Amo só o que conheço, nada é perdido. 
O bairro onde vivo e seus arredores. 
Os homens de hoje, mesmo os que decepcionam, 
sem mito e esplendor, 
humanamente humanos. 
As obras definidas que acabo de ler. 
A leitura, não a saudade, da poesia do mundo. 
O Ocidente e o Oriente que, na verdade, 
existem sob o sol para todos.   
Os mais velhos, com quem converso
as horas de suas saudades.  
As múltiplas formas da memória, 
que não se faz do esquecido. 
A língua que falo e as leituras que decifro.  
Todos os versos de que me lembro, mesmo por hábito. 
Os amigos que não faltam, porque nunca morrem. 
A ilimitada eternidade da Arte.  
A mulher que está ao meu lado, 
companheira indivisível.  
Até mesmo o que não sei, como o xadrez e a álgebra.   


(Do livreto AMÉRICA INDIGNADA 
Y POEMAS DA ALEGRIA DA VIDA
- Panamerica Produções / Nordestal Editora, 
São Paulo / Recife, 1991) 


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya 
- Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010   

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