sábado, 24 de setembro de 2011

IRMÃIDADE

para o poeta Jorge Nascimento


por saber quantas porradas percorremos
traço metros de vida em teu redor
redobro rotas em ensaios de campanhas
que algumas vezes falaremos para os surdos
de surpresa, quando eles todos esperam.
seremos porraloucas parideiros danados
como nos pedem os tropéis do sangue,
a bebedeira que chove na gente,
a gritaria do coração sem tripas
e este amargo nos dentes, nosso próprio açúcar.
que tal dançar para a puta que pariu ?
sorrir larga boca para os babacas vitoriosos ?
oferecer nossas bundas para os pontapés dos cus-sujos ?
que tal a gente deleitar todo o teatro,
e o Júri Oficial, e a Besta-Fera,
e o Estopou-Calango, a Peste Bubônica, Calor-de-Figo
e a Priquita do Mundo
com o gosto da nossa carne ?





(do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
- Nordestal Editora, Recife, PE, 1982)

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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20,
de Juareiz Correya
- Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

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