domingo, 6 de fevereiro de 2011

SEM TÍTULO, 4 ("como uma coisa odiosa...")




como uma coisa odiosa te deixarei murchar à margem
da memória que me cobre os dias, sem uma sombra
onde guardar teu nome. eu sou o mesmo e me diviso
onde divido a história que nos espelha.

amamos, e de tudo sobram restos de viver confundidos
nos rostos que ostentamos com máscaras rotas.
os amantes aprendem a silenciar também.

tu és agora um bicho vulgar que não acentua
a mímica mais fácil de conduta animal.
e eu que amante sorri com as alegrias

de descobrir as tuas descobertas e plasmar
teus desejos na substância dos meus,
reconheço, sem riso, com palavras ásperas,
que sou capaz de te odiar também.




(do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA,
de Juareiz Corerya -
Nordestal Editora, Recife,PE,1982)


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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20,
de Juareiz Correya
- Panamérica Nordestal, Recife, PE, 2010

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