domingo, 18 de abril de 2010

CANÇÃO DA GRUTA DE VÊNUS




a luz que me nasce fecunda a aurora
do ventre, nascem membros orgãos
o respirar cronométrico do sangue
correntes espelham sua nova fonte.
o corpo se estende
os seus caminhos na minha frente
todo um país que não se descobre
conheço as suas montanhas vales
praias & lugares comuns sob os meus pés
reviram-se seus climas e erupções
eu me aprofundo & em suas regiões
reinam mistérios intangíveis.
o corpo é longo
eu mergulho em sua densa sinuosidade
me exploro exausto morto de cansaço
cedendo ao chão a minha febre.
diante de ti me levanto
a exibir o orgulho que te fascina
macho que te ampara, se oferece
para viajar em tua carne
deflorar teus prazeres de dentro de ti
minha boca despeja-se em teu corpo inteiro
bebendo suores & distribuindo lampejos
com a língua múltipla me reparto
sobre o teu corpo ampla lascívia com que te quero
& ondulo revôo leve aliciante mágico
odor onírico dos teus espasmos sensuais.
cavalgo ferindo a tua terra
o meu pênis vigoroso galga
ando as macias dunas da tua carne
espalhada em mim
me enfio em ti & o teu corpo
me envolve & me alonga neste abraço
em que eu me faço & te faço, dentro de ti viril
& quente meu pulsar másculo aninhado
em teu útero, sou este músculo de fogo
que te penetra
& te enche & te alegra, mulher
para te completar em mim, dentro do teu corpo
eu rodopio & me descubro.
tudo ofereço & te dou expondo minha luxúria
para a tua sede
quero beber o teu corpo
todo me inundar em tua essência
com a boca escancarada me debruço
sobre as tuas coxas & te sacudo o corpo
largo campo de tépido orvalho é o púbis
no meu rosto & eu me solto bêbedo
com o cheiro das tuas entranhas,
abro as paredes do teu sexo
com uma jibóia saindo-me da garganta,
o céu escarlate chove tua seiva em mim
& eu sorvo tudo, minha extensa fome
o berro do gozo em convulsões vitais
imerso em ti como quem regressa.



(do folheto UM DOIDO E A MALDIÇÃO DA LUCIDEZ,
edição do autor, Palmares, PE, 1975).

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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20,
de Juareiz Correya (Panamérica Nordestal, Recife, 2010)

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