OFÍCIO DOS OSSOS (para Juareiz Correya)
O que tens, poeta, é bem pouco ou muito ou nada ou o que seja serve para tua mitologia, sem sentidos tens os pés e a hora do poema cheia, uma enchente pelas ruas da cidade que significas. Tens o prato; e a prata ? tens a prata, uma pata medonha que te esmurra de passagem no meio do povo, de novo, todos querem ver o tabefe te cobrindo o rosto, a rubra vergonha que não tens e te roubas, tentando palhacear, tentando palha cear teu prato direto estômago chato esta vida não te dá enjoos ? Poeta, o que tens não representará nunca teu minuto de sorte contado teu tempo escalas escadas e te calas ? tu falas safado, teu feijão é muito (suficiente para qualquer um) desnecessário para teu apetite, tua ração faz falta aos porcos. O que tens poeta não mereces e se recebes um cruzeiro por igual valor envergonhas o câmbio. O que tens poeta é o que te cabe e não serviria mesmo para ninguém mais. O que tens, excedência dos outros, existe apenas para teu desassos...