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AMERICANTO AMAR AMÉRICA : Opinião de Antonio de Campos

"... Há uma visão seletiva nos elementos que Juareiz Correya traz à fundição de seus versos :  sua seleção se faz em juntar seres éticos de vários matizes : tanto canta a grandeza de Victor Jara, como dedica e se inspira ao elaborar o mais longo poema de Americanto Amar América que dá título à reunião de seus poemas numa evolada beatitude americana : sua geração beat.  Juareiz Correya à imagem de Ginsberg : dono de criminosas gaivotas.  Criminosas por voarem além dos rótulos, das convenções, dos partidos e das seitas.  Companheiro de Francisco, pai dos beats..." (ANTONIO DE CAMPOS - Jornal do Commercio, Recife, PE, 1983)  ___________________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA  E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya   (Panamerica Nordestal, Recife, PE, 2010) 

AMERICANTO AMAR AMÉRICA : Opinião de Eduardo de Lucena

     O poema Americanto Amar América contém besouros insondáveis.  E salsugem de mangues. "E eu me desespero  poeta errante e louco / sambando e cantando loas africanas (...) / América América / teus gritos metem jovens nos meus ouvidos..."   Isso é um orgasmo dentro de um orgástico, estranho, triunfal poema.  Este poema é uma porrada, navajo, tupí, tupamaro, jogando bombas e lama sobre os próceres (eles merecem o termo) que sempre vestem linho e branco, para melhor a lama escorrer. E assim mesmo com "choros de crianças guitarras, ventres duros de fome  - e com isso tudo mesmo é que a América é "mulher de carnes cruas pregadas no meu peito / como colunas de ventos colossais..."   América que tem cheiro de limão, devastação, pilhagens, porres de cocaína, rolos de maconha, e esse sangue americano resumindo tudo, como um desespero que não se consome, nem se consuma : fruto a exigir a sua redenção.       (Recife, 1982)...

AMERICANTO AMAR AMÉRICA : Opiniões de Leda Rivas e Montez Magno

"Nos versos de Juareiz Correya, uma canção de amor desesperada.  A América lhe dói, como a Espanha doía a Unamuno.  É parte de sua vida, de sua carne  e de sua alma,  suga-lhe o sangue, explode em suas artérias, marca,  cruelmente, os seus passos de poeta."  (LEDA RIVAS   - Diário de Pernambuco,  Recife, 1982)  "Em Americanto Amar América o seu anti-lirismo é pujante.  não sendo envolvido por diáfanos e enganadores véus mas revestido de uma grossa crosta perfurante,  emissora de sonoridades incomodatícias aos ouvidos  dos que ainda não se aperceberam que os sons mais comuns  e constantes do nosso tempo são os das metralhadoras  e dos tanques de guerra."  (MONTEZ MAGNO   - Olinda, 1982)  ____________________________________________________  Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya ...

"RETRATO 3 X 4 DE JUAREIZ CORREYA" (5) - Texto de Jaci Bezerra

"..............................................................      Este livro de Juareiz Correya, que reúne produções de várias épocas já publicadas anteriormente sobretudo em forma de livretos e folhetos de cordel, sendo, no seu conjunto, o discurso de parte de uma vida, a sua, pode ser encarado, por outro lado, como representativo de uma fase agressivamente renovadora da poesia brasileira atual : exatamente a que vem sendo imposta pelos movimentos alternativos.      Ao contrário dos donos da cultura, que olham com desprezo e nojo, ou, no mínimo, complacentemente, essa poesia através da qual os novos rompem e escancaram o hímen da poesia, isso de maneira salutarmente rebelde, não tenho dúvidas de que ela veio para ficar. E um exemplo, entre muitos, é constituído por este livro. Discursivo, às vezes, mas sobretudo, e acima de tudo, a criação de um poeta que é verdadeiramente poeta. Nele, devo confessar que me vejo, e nele vejo uma força vital,...

"RETRATO 3 x 4 DE JUAREIZ CORREYA" (4) - Texto de Jaci Bezerra

"....................................................................................      Para os que se arvoram em proprietários da Arte, Juareiz Correya se situa dentro do universo da poesia que, hoje, hostilizada e por eles recusada, é chamada de alternativa e marginal.  Acredito que Juareiz, consciente do seu ofício e dos seus propósitos, deve encarar com irreverência essa colocação.  Creio que não vale a pena discutir, nos dias que correm, as posições dos que, ao longo do tempo, tentaram traçar e impor normas e limites para a arte através dos discursos produzidos menos pela serenidade dos olhos, que se mantêm honesta e serenamente abertos, do que por equívocos e frustrações.  Juareiz Correya, na verdade, poeta acima de rótulos, foi, no Recife, e talvez deva acrescentar, em Pernambuco, um vanguardista no que se refere à eclosão dos movimentos alternativos e marginais no Brasil.  O que, para aqueles que acompanham lisamente, sem subterfúgios...

"RETRATO 3 X 4 DE JUAREIZ CORREYA" (3) - Texto de Jaci Bezerra

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,      "Ouso dizer que em Juareiz Correya a vida e a poesia estão entranhadas na mesma argila e no mesmo barro. A sua poesia, digamos assim, é o reflexo exato de suas atitudes e ações no mundo, Ele acredita, com uma crença visceral, no poder das palavras como instrumento de denúncia e combate.  Mas nunca nas palavras bem comportadas, adoçadas pelo açúcar lírico que durante um tempo bastante longo marcou nocivamente parte substancial da poesia brasileira : a palavra domesticada, asséptica, esterilizada, cheirando a desodorante e apertada nos nós dos espartilhos.  Juareiz acredita na palavra solta e livre, fruto que os poetas, sentados à mesma mesa, também soltos e livres, podem dividir fraternalmente.  Por isso mesmo ele as usa sensualmente, como se ele e a palavra fossem amantes que, na intimidade do amor, se concedessem todas as liberdades.  E porque a palavra é a amada que escolheu, e ...

"RETRATO 3 X 4 DE JUAREIZ CORREYA" (2) - Texto de Jaci Bezerra

     "Juareiz Correya, dizia eu, é uma pessoa feita de excessos. Mas não dos excessos que ofendem as pessoas e minimizam a vida. Ao contrário, ele parece-me excessivo, despudoradamente excessivo nos seus gestos e atitudes, porque ama despudoradamente a vida. E esse amor e despudor que, por vezes, parece ofender, não importam as razões alegadas, o senso de decência das pessoas, consequências de uma liberdade rara, arduamente conquistada e facilmente constatável, é o que torna incendiariamente viva a sua poesia. Ao escrever, Juareiz dispensa os veludos e as filigranas da moda, e é o mesmo Juareiz rútilo de vida que estamos acostumados a ver e ouvir : o  que se abre em risos, o que convive com os sonhos, o que não aceita imposições, o que ama e estuda os poetas populares, o que publicou Ascenso, o que distante dos deuses e dos valores da nossa época está sempre nas ruas e nas esquinas ao lado dos homens.  Sabe, porém, que "a rua é pouca para o meu corpo, a ru...