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"RETRATO 3 X 4 DE JUAREIZ CORREYA" (2) - Texto de Jaci Bezerra

     "Juareiz Correya, dizia eu, é uma pessoa feita de excessos. Mas não dos excessos que ofendem as pessoas e minimizam a vida. Ao contrário, ele parece-me excessivo, despudoradamente excessivo nos seus gestos e atitudes, porque ama despudoradamente a vida. E esse amor e despudor que, por vezes, parece ofender, não importam as razões alegadas, o senso de decência das pessoas, consequências de uma liberdade rara, arduamente conquistada e facilmente constatável, é o que torna incendiariamente viva a sua poesia. Ao escrever, Juareiz dispensa os veludos e as filigranas da moda, e é o mesmo Juareiz rútilo de vida que estamos acostumados a ver e ouvir : o  que se abre em risos, o que convive com os sonhos, o que não aceita imposições, o que ama e estuda os poetas populares, o que publicou Ascenso, o que distante dos deuses e dos valores da nossa época está sempre nas ruas e nas esquinas ao lado dos homens.  Sabe, porém, que "a rua é pouca para o meu corpo, a ru...

RETRATO 3 x 4 DE JUAREIZ CORREYA (Texto de Jaci Bezerra)

     "O poeta Juareiz Correya nunca aceitou, em nenhuma circunstância, as roupas bem talhadas dos figurinos tradicionais.  Esta afirmação, produto de uma amizade exercitada ao longo de anos inquietos e sofridos, é plenamente endossada pelo escritor Marcus Santanetti, que fez a apresentação do seu primeiro livro e conviveu com o poeta na época em que ele, saturado de Palmares e Recife, exilou-se voluntariamente em São Paulo.  Diria que Juareiz é uma pessoa feita de excessos.  E o Recife e Palmares, os que insistem em masoquistamente continuar amando o Recife e Palmares, acostumaram-se, já, a conviver com o seu perfil de lâmina, aos seus jeans desbotados e azuis, à sua voz que parece tinir como o ruído dos copos dentro das tardes e das noites recifenses, ao generoso desperdício de gestos das suas mãos de dedos longos e brancos, à sua risada ostensivamente escandalosa.  E, do mesmo modo, o Recife e Palmares também já se acostumaram à seriedade com a ...

OPINIÃO DE GENETON MORAES NETO

"AMERICANTO é na verdade uma significativa declaração de amor a essa América de todos os campos, gritos, silêncios, sossegos e agonias. Vale a pena ler o trabalho desse jovem poeta, dono de uma linguagem forte e cortante."  GENETON MORAES NETO  ("Ensaio Geral / Diário de Pernambuco,  Recife, PE, 1975)

OPINIÃO DE PAULO AZEVEDO CHAVES

     "Foi difícil escolher um poema, ou trecho de um, do livro AMERICANTO... Não porque a escassez de bom material poético tornasse difícil a escolha.  Muito pelo contrário : o livro é pequeno, os poemas são poucos, mas a escolha é múltipla."                                                       ("Poliedro" /                                                       DIARIO DE PERNAMBUCO                                                        - Recife, 1973)                          ...

UM DOIDO E A MALDIÇÃO DA LUCIDEZ, de Hermilo Borba Filho

      "O poeta é um ser que vive permanentemente em estado de sofrimento por si mesmo e pelo mundo que o rodeia. Quando o mundo atinge a sua zona mais alta de tortura, tanto no estado da lucidez como no das intuições (quase sempre mais válidas), o poeta se contorce como uma salamandra no fogo e canta tragicamente.  Por ser mais agudo e perspicaz que as pessoas que o cercam vê tudo mais além, exacerbadamente, desejando o que não pode e fazendo o que segundo os bons costumes não deveria fazer.        Juareiz Correya é um desses seres e este seu pequeno livro de agora diz, fotograficamente, com muita precisão, o que está acontecendo com ele : o poeta está triste e pessimista. Nenhuma esperança em suas palavras. Ele quer chorar e é um direito seu. Mas tenho cá comigo que devemos crer mesmo contra a esperança e é o que aconselharia se me atrevesse a dar conselhos : olhar em volta mais acuradamente, com esse olhar de gavião que os poetas têm mesm...

AMERICANTO AMAR AMÉRICA & OUTROS POEMAS (1975)

UM POETA COM OS PÉS NO CHÃO  Pelópidas Soares  Apresenta-se um jovem do seu tempo, envergando jeans desbotados, blusão aberto ao peito, os cabelos soltos ou presos por uma fitinha. Começa a falar, as terras banhadas pelo Una e pelo Pirangi saltam, em relevo, como num mapa tridimensionado : toda a força telúrica da região, o massapê generoso da Mata Sul, que já plasmou Ascenso Ferreira, Hermilo Borba Filho e Jayme Griz, ressaltam das suas palavras.   A sua poesia carrega a angústia da fase transitória de sua geração que aguenta o peso da tragédia dos nossos dias, prenhes de incertezas. Geração que fecha as portas de um passado e abre as portas para um futuro, em que o homem, o mais adaptável dos animais, vencerá, afinal ! Mesmo que tenha de erguer-se do caos.  Dentro do seu jeito extravagante, Juareiz Correya é um homem sério.  Mais do que muitos executivos rodeados de secretárias e telefones.  Telefones que se comunicam apenas com...

1993 : AMERICANTO AMAR AMÉRICA - Poema de Juareiz Correya / Desenhos de Roberto Portella

SOBRE ESTA EDIÇÃO  O poema AMERICANTO AMAR AMÉRICA foi escrito no ano de 1972, em São Paulo, e publicado pela primeira vez no ano de 1975 - AMERICANTO AMAR AMÉRICA & OUTROS POEMAS -, livreto de 20 páginas, Nordestal Editora, Recife, PE. Sete anos depois reuni toda a minha poesia publicada até então, reeditando o poema apresentado como título geral da obra   - AMERICANTO AMAR AMÉRICA, livro de 80 páginas, Nordestal Editora, Recife, PE, 1982.   Nesse mesmo ano conheci pessoalmente o desenhista Roberto Portella e fui surpreendido por ele, meses depois, com os desenhos e a quadrinização pronta e acabada do AMERICANTO.  Nos últimos dez anos programamos esta publicação algumas vezes.  Os adiamentos então verificados concorreram mesmo para que este magnífico trabalho de Roberto Portella só pudesse ser editado neste ano de 1993 - um ano após as comemorações do quinto centenário da invasão do nosso Continente - , servindo como contribuição do Nordeste bra...