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1993 : AMERICANTO AMAR AMÉRICA - Poema de Juareiz Correya / Desenhos de Roberto Portella

SOBRE ESTA EDIÇÃO  O poema AMERICANTO AMAR AMÉRICA foi escrito no ano de 1972, em São Paulo, e publicado pela primeira vez no ano de 1975 - AMERICANTO AMAR AMÉRICA & OUTROS POEMAS -, livreto de 20 páginas, Nordestal Editora, Recife, PE. Sete anos depois reuni toda a minha poesia publicada até então, reeditando o poema apresentado como título geral da obra   - AMERICANTO AMAR AMÉRICA, livro de 80 páginas, Nordestal Editora, Recife, PE, 1982.   Nesse mesmo ano conheci pessoalmente o desenhista Roberto Portella e fui surpreendido por ele, meses depois, com os desenhos e a quadrinização pronta e acabada do AMERICANTO.  Nos últimos dez anos programamos esta publicação algumas vezes.  Os adiamentos então verificados concorreram mesmo para que este magnífico trabalho de Roberto Portella só pudesse ser editado neste ano de 1993 - um ano após as comemorações do quinto centenário da invasão do nosso Continente - , servindo como contribuição do Nordeste bra...

O QUE É MEU (Paráfrase a Jorge Luís Borges)

"Amamos o que não conhecemos,  o já perdido."                           (Jorge Luís Borges)  Amo só o que conheço, nada é perdido.  O bairro onde vivo e seus arredores.  Os homens de hoje, mesmo os que decepcionam,  sem mito e esplendor,  humanamente humanos.  As obras definidas que acabo de ler.  A leitura, não a saudade, da poesia do mundo.  O Ocidente e o Oriente que, na verdade,  existem sob o sol para todos.    Os mais velhos, com quem converso as horas de suas saudades.   As múltiplas formas da memória,  que não se faz do esquecido.  A língua que falo e as leituras que decifro.   Todos os versos de que me lembro, mesmo por hábito.  Os amigos que não faltam, porque nunca morrem.  A ilimitada eternidade da Arte.   A mulher que está ao meu lado,  companheira indivisí...

SONHO VIDA

desperto e completo o dia na noite.  vivo meus sonhos com os olhos abertos,  o sono mutila o dia e anula a noite.  o sono foge as horas em minhas mãos   - irrealizáveis partículas dos meus átomos,    não multiplicadas semanas dos meus corpos,    improdutivos meses das minhas vidas,    inúteis anos e séculos da cotidiana eternidade -  o sono estraga todos os sonhos  e eu sei que, dormindo, não repousamos.  a vida é energia desperta claro dia   iluminando a noite mais profunda.  o sono é morte.  (Do livreto AMÉRICA INDIGNADA  Y POEMAS DA ALEGRIA DA VIDA,  de Juareiz Correya  - Panamerica Produções / Nordestal Editora,   Recife, PE, 1991) ___________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA  E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20,  de Juareiz Correya   (Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010) 

COMUNICADO PARA DESCONHECIMENTO DA CIDADE

a cidade ignora a tua presença.  ela não sabe   que por seus membros apertados   passeia a tua carnal beleza,  que percorres, com a tua graça,  o seu inalterado cotidiano,  conheces no teu sorriso   as estações dos seus bairros,  e que expressas, sensual e doce,  olhares e bocas de suas ruas e becos,  e as sensações dos seus luares e rios,  iluminando pelas praças e pontes com a tua magia de fêmea  a invenção de sóis e ventos   dos seus dias e noites renascidos.  e porque te encontro a cidade inteira te olha :  atenta e espiã a cidade te descobre   e os homens te buscam com fome   e as mulheres te invejam com raiva.  AH CIDADE VG  IGNORA NOSSA EXISTENCIA   (Do folheto AMÉRICA INDIGNADA Y POEMAS DA ALEGRIA DA VIDA - Panamerica Produções / Nordestal Editora,   Recife, PE, 1991) ________________________________________________ Transcrito do livro AMER...

POR TODOS OS SENTIDOS

tua fala tem sossego  um segredo que não cala  por fora da tua voz   que traz carícia  e notícia   bem de dentro do teu peito   do jeito de se agradar   do jeito mais que perfeito  do lado esquerdo e direito   por onde vai teu coração   se alegrando e palpitando  querendo e adivinhando  o toque da minha mão   um tato novo é preciso   com cuidado e com juízo   de quem chega em terra estranha   um tato claro que chegue   te acelere e te apegue   quando mais cresce e te arranha   que descobre teus apelos   no sangue da tua cor   na tua hora sem medo   no gosto do teu calor  teu corpo brilha maduro   universo claro-escuro  ninho de tons e mistério  tem um som na tua pele   guardado que se expele   virado em percussão  eu bem quero e te venero   te faço crença e canção     e o teu cheiro mais viv...

INTIMIDADE

eu gosto do teu cheiro de dentro de dizer que te mato   de prazer de cansaço  de perder os meus braços  navegando em teu mar   eu gosto  dessa carne que arde  mais cedo e mais tarde  pelos cantos da casa  de fazer minha rede   no vai-vem dessas pernas (no aconchego das coxas)    de cair de cabeça   nos segredos da gruta   eu gosto  desse gosto mais doce   que o teu corpo oferece   de tanto gozar  do teu longo arrepio  dessas voltas do cio   desse amor sem parar  (Do folheto AMÉRICA INDIGNADA Y POEMAS DA ALEGRIA DA VIDA, - Panamerica Produções / Nordestal Editora, Recife, PE, 1991) ________________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA  E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya   - Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010 

PLENITUDE

Eu te pertenço como não me pertenço  sempre sei o que sou em tuas mãos   e gosto de ser assim o teu querer  sono e sonho toda hora é teu prazer   tudo sabe meu corpo e se renova   e se amplia mais, a carne orientando,  porque animas a vida como quem me cria,  a tua posse me completa, perfeita harmonia   de quem me inaugura em paz e alegria   (Do livreto AMÉRICA INDIGNADA Y POEMAS DA ALEGRIA DA VIDA - Panamerica Produções / Nordestal Editora, Recife, PE, 1991) ________________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA  E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya  - Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010