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IRMÃIDADE

para o poeta Jorge Nascimento por saber quantas porradas percorremos traço metros de vida em teu redor redobro rotas em ensaios de campanhas que algumas vezes falaremos para os surdos de surpresa, quando eles todos esperam. seremos porraloucas parideiros danados como nos pedem os tropéis do sangue, a bebedeira que chove na gente, a gritaria do coração sem tripas e este amargo nos dentes, nosso próprio açúcar. que tal dançar para a puta que pariu ? sorrir larga boca para os babacas vitoriosos ? oferecer nossas bundas para os pontapés dos cus-sujos ? que tal a gente deleitar todo o teatro, e o Júri Oficial, e a Besta-Fera, e o Estopou-Calango, a Peste Bubônica, Calor-de-Figo e a Priquita do Mundo com o gosto da nossa carne ? (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA - Nordestal Editora, Recife, PE, 1982) ______________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya - Panameri...

ASCENSÃO DE RONALD REAGAN

Um homem velho está no Poder. Um homem velho como as pradarias do seu país Virou Águia E o sangue brilha nos seus olhos A partir de hoje. Hoje a América é posse De um homem velho. A América estremece inteira - treme até os cabelos do cu, possuída por esse homem velho. Recife, 20.01.81. (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA - Nordestal Editora, Recife, 1982) ___________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya - Panamerica Nordestal, Recife,PE, 2010.

POEMA IMBECIL

então os soldados fardados/armados e os (secretos) agentes da polícia federal no pastoril infantil prenderam as luminosas meninas do cordão encarnado (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA - Nordestal Editora, Recife, PE, 1982) ___________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya - Panamérica Nordestal, Recife, PE, 2010

LIÇÃO DE CARTILHA

na boca na boca do povo na boca do povo nordestino na boca do povo nordestino do nordeste na boca do povo nordestino do nordeste brasileiro na boca do povo nordestino do nordeste brasileiro botaram na boca do povo nordestino do nordeste brasileiro botaram o ovo o ovo o ovo do saco o ovo do saco de excrementos o ovo do saco de excrementos de deus o ovo do saco de excrementos de deus mal o ovo do saco de excrementos de deus mal passado o ovo do saco de excrementos de deus mal passado no tridente no tridente no tridente ridente no tridente ridente do demônio no tridente ridente do demônio fardado no tridente ridente do demônio fardado fartado na boca (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA - Nordestal Editora, Recife, PE, 1982) ___________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya - Panamérica Nordestal Editora, Recife, PE, 2010

BILHETE BRASILEIRO PARA O AMERICANO

pega esta terra sem vergonha, Sam e come sua carne seu fruto doce e ela fica melhor com os teus dentes. ganha esta terra, sem vergonha Sam e fode sua gente besta indolente que ela vai sambar sem ligar pra vida. (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA -Nordestal Editora, Recife, PE, 1982) ___________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya - Panamérica Nordestal Editora, Recife, PE, 2011

DOM QUIXOTE DE CERVANTES

Diante do mundo, ferida tão aberta me faço poeta e vou espaceando aonde me esperam presidentes & Onus sitiadas & estrelas de cinema sem divórcio & putas brilhantes. Minha poesia raiojogada rebrilaser verbera assim eu combato no céu de chumbo as máquinas de todos os partidos & os robôs românticos lançando apelos, códigos ideológicos. Me faço poeta, astronauta para jogar sobre os continentes meu sorriso de luta. Minha poesia astrolírica fere & a sua fornalha nem consome as gerações inúteis, bêbedos senis comendo o seu pão de condição burguesa. Me faço poeta, poeta eu sou & me chamam louco. A minha loucura não lhes faz graça nem lhes mete medo. Poeta, ou esta mania de pássaro & fogo. Me faço poeta & as torrentes que eu carrego em cada palavra & a porra de tudo & tudo de todos & todos tudo em mim não vale nada para ninguém, estúpidos espectantes. Minha poesia é chama de papel higiênico, é um acidente em...

CANÇÃO PARA VICTOR JARA

"o canto tem sentido quando palpita nas veias de quem morrerá cantando as verdades verdadeiras" (VICTOR JARA) morrerei cantando, Victor Jara. depois dos dedos cortados as mãos sangrarão ritmos e cordas e a canção elevará minha voz. e me cortarão os pulsos e os tocos dos meus braços sem instrumentos sustentar rubros vão balançar sem minha canção parar. meus dentes serão quebrados na minha boca prensados na garganta atulhados no meu canto sufocado. meu rosto disforme de insultos virado na sanha dos brutos vai minha vontade cantando na cara do povo mostrar. além da loucura e dos urros da soldadesca assassina além de chutes e murros e da bala que elimina - nesta praça de esportes onde nos jogam com a morte - meu povo não calará, minha voz vai mais cantar, meu canto não morrerá. morrerei cantando, Victor Jara. (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA, de Juareiz Correya - Nordestal Editora, Recife, PE, 1982) __________________...