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UMA VEZ BEBENDO, BEBENDO ATÉ MORRER

de bar e de bares, de porres vazios, de histórias sem graça, eu conto esta hora. não importa se bebi, ou de que bar eu vim, nem se me embebedei no fim da festa. importa é este gesto, inútil voz desesperada tentanto alcançar alguns homens. importa, e que importância tem depois se eu já nem sei se depois me importa qualquer coisa ? fico nu e a verdade é que não estou só, nem com ninguém, nem tenho ninguém a me esperar chegando em casa de táxi. tento acertar comigo o tempo que eu não conheço, a merda do dia, o cu da existência, num buraco infinito de pauleiras. não é nada disso e eu devo dizer É ISSO AÍ, está tudo na pior e eu só sei dizer TUDO BEM, e quando as cachaças as cervejas as companhias me embebedam, eu nunca sei o que será de mim. jamais me contento, mas eu engulo sempre o pão que o diabo amassou, as dores dos cornos, as glórias dos babacas, os uísques nacionais dos bundamoles e o samba-canção dos machos sem tesão. eu vivo mais cheio que o s...

SEM TÍTULO, 4 ("como uma coisa odiosa...")

como uma coisa odiosa te deixarei murchar à margem da memória que me cobre os dias, sem uma sombra onde guardar teu nome. eu sou o mesmo e me diviso onde divido a história que nos espelha. amamos, e de tudo sobram restos de viver confundidos nos rostos que ostentamos com máscaras rotas. os amantes aprendem a silenciar também. tu és agora um bicho vulgar que não acentua a mímica mais fácil de conduta animal. e eu que amante sorri com as alegrias de descobrir as tuas descobertas e plasmar teus desejos na substância dos meus, reconheço, sem riso, com palavras ásperas, que sou capaz de te odiar também. (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA, de Juareiz Corerya - Nordestal Editora, Recife,PE,1982) ___________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya - Panamérica Nordestal, Recife, PE, 2010

Palmares realiza "Encontro Literário da Mata Sul" em setembro

Palestras, debates, lançamentos, feira de livros, recital de poesia, música e artes plásticas fazem parte da programação do "1o. ENCONTRO LITERÁRIO DA MATA SUL DE PERNAMBUCO", a ser realizado em Palmares, de 15 a 18 de setembro deste ano. Edições e reedições de livros de Hermilo Borba Filho (Palmares), Aristóteles Soares (Catende), Waldemar Lopes (Quipapá), Nelson Chaves (Água Preta), escritores já falecidos e consagrados no Estado, serão lançadas e destacadas durante todo o Encontro. Autores novos, inéditos e publicados, da região, terão também os seus trabalhos lançados no evento, que promoverá, da quinta-feira (15) ao domingo (18), uma movimentada feira de livros no centro da cidade. Com a coordenação geral dos escritores Juareiz Correya (Panamérica Nordestal Editora) e Alexandre Santos (União Brasileira de Escritores - Seção de Pernambuco), o ENCONTRO LITERÁRIO DA MATA SUL DE PERNAMBUCO , iniciado em Palmares, neste ano de 2011, será realizado, a cada ano seguin...

Sem Título ("a mulher agora é terrível")

a mulher agora é terrível é terrível e esta palavra é pouca, eu não sei como abarcar a grandeza da miséria a que ela nos condena. e antes, e cedo mesmo quando esteve comigo companheira e amiga sua dor e sua solidão me cativaram pelos dias em que historiamos a nossa sorte vagos e plenos, em nós o universo. eu quis lhe dar e lhe dei os meus alvoroços e a minha calma e o gosto que eu sempre tive de me dizer seu. ela me acolheu e me disse generosa que me recebia e me queria com a certeza de quem ia me receber e me querer muito mais. agora, o tempo não é de alegria nem festa alguma existe em nossa volta ou nos encontros que forçam os nossos passos. existe em mim uma dor e uma solidão que eu nunca tive e a desgraça de vê-la terrível como eu nunca vi. (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA, de Juareiz Correya - Nordestal Editora, Recife, 1982) ___________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMA...

(SEM TÍTULO, 2) "dói em mim uma dor danada..."

______________________ dói em mim uma dor danada que eu não quero ter e que não recuso. um gesto que eu não conheço me condena, a voz transborda iras e terrores. a mulher que eu amei é logo desamada num abandono cego e pessimista. amanhã eu não sei o que dizer do amor para que não seja apenas uma palavra. meus sentimentos se perdem e se confundem e eu me esqueço de mim, falho nos sonhos erro nas esperanças passo batido e retardatário no ciclo dos dias, me sinto sem forças para conduzir meu próprio fardo. que olhos brilharei para a mulher que amo quando ela aparecer cansada e triste ? dói em mim uma dor danada que eu não quero ter por que repartir com essa companheira sofrida em meus caminhos inútil e vaga em sua sorte que eu não quero ter e que não recuso. (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA, de Juareiz Correya - Nordestal Editora, Recife, PE, 1982) ________________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS PO...

(SEM TÍTULO)

___________________________ estou triste porque não disse do amor alegres palavras que alvoroçassem teu sangue e te perdessem em nosso encontro. estou triste e inútil, cansado pelas ruas e becos e praças e grotas e grutas deste lugar que enfeitei contigo para te inaugurar e te fazer morada. é uma tristeza sem álcool nos olhos e sem olheiras, sem amargor e sem derrota tristeza triste contra a alegria de te ver. serena em mim um rebanho de temores pastando nesta noite de distâncias. ninguém nos vê,nem sabe do nosso desamparo e do carinho que não tratamos quando estivemos juntos. ninguém vê que não nos vemos e que não sabemos de nada do que dissemos e que não fazemos o que queremos. esta tristeza cresce e me espanta se estendendo sobre pontes e rios como se pudesse te encontrar e, onde estás, enterrar teu rosto em sombras e teu coração em apertos (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA, de Juareiz Correya, Nordestal Editora, Recife, 1982) ____________...

SEM AMANHECER

amanhece. mas eu sinto que não amanheço. sombras amadurecem em meu rosto e um cansaço eterno mora neste corpo que eu pensei guardar revivido para hoje. amanhece agora - a cidade está pronta para o dia que nasce limpa e clara se instala a manhã no coração dos homens que despertam, sem sombras no rosto e sem cansaço, renascidos também. amanhece. só eu não vejo a luz e os caminhos. (do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA, de Juareiz Correya - Nordestal Editora, Recife, 1982) _______________________________________ Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya - Panamérica Nordestal Editora, Recife, 2010