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AMERICANTO AMAR AMÉRICA (7)

América teus gritos metem jovens nos meus ouvidos de todas as cores & raças mesclados irmãos nas ruas largas cantando canções me arrastam alegorias & países fantásticos de painéis aramadilhas de anúncios luminosos & cavalos voadores & dragões & poetas que alimentam-se de bombas atômicas & ventres duros de fome & choros de crianças guitarras & mundos inteiros ansiando a hora em que o fogo da minha carne destrua os lobos & abutres & porcos comedores de cabeças

AMERICANTO AMAR AMÉRICA (6)

América tuas veias correm lavras vulcânica no meu corpo todo possuído & pelos meus poros estraçalhados entram bandos de sóis argentinos explosivos como noites espanholas & eu me desespero poeta errante & louco sambando & cantando loas africanas nas duas dos teus seios impetuosos & vôo com os meus pés alados na planície arenosa de púrpura & sal para não descansar jamais

AMERICANTO AMAR AMÉRICA (5)

América eu bebo no teu suor correntes de petróleo & ouro & loucura eu sou um doido & bebo êxtase de tua boca licores estranhos & luxuriantes escorrem & umedecem-me a pele coberta de ilhas dos Andes crispada teu abraço carregadoesmagadormultiplo como avalanches multi modas coloridas vermelho azul tuas pernas monstruosas rasgam os panos de nuvens de galáxias & me esmagam com todos os desejos com toda a energia dos teus músculos de ferro com toda a fúria das tuas células famintas milhões de balas & besouros guerrilheiros tupamaros estalando nos varais da república desvairada & pombas brancas carregadas de dinamites para festas nas selvas & nos pântanos urbanos

AMERICANTO AMAR AMÉRICA (4)

América tua cabeça vomita jovens famélicas ninfomaníacas crianças sensuais & doces meninas brigando sexualmente pela minha carne espalhada em todos os lugares em todos os bares em todas as praias em todos os cinemas em todos os caminhos que vão & voltam em todos os espetáculos em todas as feiras em todas as casas minha carne ardente espalhada sobre as estrelas & a gosma & os satélites & o câncer & os automóveis luxuosos & a carniça & os prazeres financiados & a merda dos estados unidos

AMERICANTO AMAR AMÉRICA (3)

América tua alegria me embebeda eu sou teu deus poeta incandescido no teu ventre teus olhos brilham poemas terríveis gaivotas criminosas de Ginsberg & me enfeitam & me enfeitam arcoiris de luas gigantescas empoeiradas nos ruídos das motocicletas & há tanta doçura na gasolina matando a sede na minha garganta & alucinógenos & lírios & violetas & roseiras & porres de cocaína & rolos de maconha

AMERICANTO AMAR AMÉRICA (2)

América eu me dou com este corpo de criança que a tua febre come e joga para os céus dos chacais meu corpo virgem nas estradas que a tua volúpia rodopia além onde estão todas as promessas para que o meu gozo encha os mares & enterre todas as florestas com tempestades de espermatozóides

AMERICANTO AMAR AMÉRICA

este poema é dedicado à geração beat norte-americana que pariu o Anti-Sonho nos anos 60. América mulher de carnes cruas pregadas no meu peito como colunas de ventos colossais meus gritos são alegria de tambores & montanhas de plástico são doces campos de açúcar & rios de sangue cheios de troncos negros queimados na dança dos teus cabelos que a noite estupra gargalhadando